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Eu não li Persépolis, primeiro e mais famoso livro da iraniana Marjane Satrapi que inspirou um filme com o mesmo nome. Mas uma crítica na Folha de S.Paulo do último sábado me deixou curiosa para ler seu mais recente livro lançado pela Companhia das Letras, pelo selo Quadrinhos na Cia. Foi o que fiz: depois de uma corrida rápida até a livraria da esquina.
Bordados é um livro delicioso, ilustrado, divertido, bem-humorado, conta histórias de mulheres, mas sem ser feminista-chato de carteirinha. Recomendo! Ah… fiquei com vontade de ler/assistir Persépolis. Depois conto aqui como foi.
Os almoços de família na casa da avó de Marjane, em Teerã, terminavam sempre com o mesmo ritual: enquanto os homens iam fazer a sesta, as mulheres lavavam a louça. Logo depois começava uma sessão cujo acesso só era permitido a elas – o “bordado”.
O “bordado” iraniano seria equivalente ao brasileiríssimo “tricô”, não fosse uma acepção bastante particular: a expressão designa também a cirurgia de reconstituição do hímen, uma decisão pragmática para as mulheres que não abrem mão de ter vida sexual antes do casamento, mas sabem que precisam corresponder às expectativas das forças moralistas do país.
O grupo que se reúne na casa da avó de Marjane, é uma amostra de mulheres com moral e experiência bastante variadas, mas sempre às voltas com o machismo e a tradição, sobretudo depois da Revolução Islâmica (1979). Casamentos malfadados, virgindades roubadas, adultérios, frustrações, golpes e autoenganos, narrados com a ironia tão peculiar à autora, mostram que no Irã amar e desamar pode ser ainda mais complicado do que podemos supor.
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Tags: livros 1 Comentário »





20 de Abril de 2010 - 23:27
Boa dica! Descobri os quadrinhos adultos ano passado e tenho adorado!